Desaparecimento de quatro cães no pátio do Mercado Livre em Araucária (PR) gera polêmica e investigação

Desaparecimento de quatro cães no pátio do Mercado Livre em Araucária (PR) gera polêmica e investigação

Araucária, Paraná — Um episódio que tem dividido opiniões e mobilizado autoridades, protetores de animais e moradores tomou conta das notícias em Araucária após o desaparecimento de quatro cães que frequentavam o estacionamento do Centro de Distribuição (CD) do Mercado Livre, no bairro Boqueirão.

Segundo relatos de funcionários e moradores da região, Rajada, Cara Preta, Caramela e Pretinho — cães comunitários que viviam há anos nas redondezas e eram conhecidos por sua docilidade — foram capturados na madrugada do dia 28 de janeiro dentro das instalações do CD e, desde então, não foram mais vistos.

Operação polêmica dentro do centro de distribuição

Fontes internas que preferiram manter anonimato contaram à reportagem que quatro pessoas ligadas ao centro logístico foram destacadas para uma operação de captura dos animais, supostamente liderada por um coordenador da área de Loss Prevention. Testemunhas relataram que os cães foram abordados enquanto dormiam e colocados à força no compartimento de cargas de uma camionete Fiat Fiorino branca, veículo que teria sido alugado para a ação.

O uso de um equipamento improvisado para capturar os animais também foi citado por funcionários à imprensa, aumentando a apreensão dos denunciantes sobre as condições em que os cães foram manuseados.

Empresa afirma ter realocado os cães

Em resposta às acusações, a assessoria de imprensa do Mercado Livre admitiu a ação de remoção dos animais, mas negou que tenha ocorrido maus-tratos. A empresa afirmou que os cães foram levados para uma chácara em um município vizinho, com a justificativa de segurança — tanto para a operação do centro como para os próprios animais, devido ao intenso fluxo de veículos no estacionamento do CD.

A nota da empresa também mencionou que há contato com organizações não governamentais para acompanhar a situação dos animais. No entanto, não foram divulgados o local exato da chácara nem os nomes das ONGs envolvidas, o que tem levantado questionamentos públicos e entre protetores de animais.

ONG nega ter recebido os cães

Contrariando a versão oficial da empresa, a ONG DNA Animal divulgou que os cães desaparecidos não seriam os mesmos que aparecem sob seus cuidados e que não foram entregues pela direção do mercado. A entidade afirmou que os animais que estão sob sua tutela foram recebidos em outra data e não correspondem aos cães comunitários mencionados na denúncia.

Repercussão e ações em curso

O caso também ganhou atenção de representantes da causa animal. A vereadora e defensora dos direitos dos animais Andressa Bianchessi encaminhou ofício à Delegacia de Araucária pedindo que as autoridades investiguem oficialmente a conduta da empresa, com base na legislação ambiental e de proteção animal em vigor no Brasil.

Funcionários do Mercado Livre que relataram o episódio à imprensa temem retaliações internas por expor a situação, e alguns afirmam já terem registrado denúncias junto à Polícia Civil.

Cães comunitários e vínculo com a comunidade

Os quatro cães eram conhecidos e queridos pela comunidade local: eram castrados e microchipados, e receberam cuidados de moradores, que inclusive colocaram casinhas para eles na calçada ao longo dos anos. A retirada abrupta dos animais gerou forte reação entre vizinhos e protetores de animais, que agora exigem transparência sobre o paradeiro e as condições em que os cães se encontram.

Se quiser, posso também levantar informações sobre as ações legais em andamento ou os direitos dos animais segundo a legislação brasileira. Quer continuar acompanhando o caso?

sim

Claro — aqui vai um acompanhamento jornalístico aprofundado do caso dos quatro cães que desapareceram no pátio do centro de distribuição do Mercado Livre em Araucária (PR), incluindo as ações legais e o contexto da legislação de proteção animal no Brasil:

📍 Investigação em curso e apuração oficial

O caso dos quatro cães comunitários — conhecidos como Rajada, Cara Preta, Caramela e Pretinho — que desapareceram na madrugada de 28 de janeiro de 2026 no estacionamento do centro de distribuição do Mercado Livre em Araucária, Paraná continua sob investigação pelas autoridades competentes. De acordo com reportagens recentes, não há confirmação de que os animais tenham sido entregues a uma ONG, apesar de informações iniciais da empresa nesse sentido; a própria ONG DNA Animal negou que os cães desaparecidos tenham sido recebidos como informado pelo Mercado Livre.

Funcionários e testemunhas afirmam que os cães, historicamente bem-quistos pela comunidade e por trabalhadores, foram capturados sem aviso prévio e levados em uma camionete sem que se saiba o paradeiro oficial do grupo.

As autoridades ambientais municipais e a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente em Araucária já notificaram a empresa para prestar esclarecimentos. Há registros de denúncias feitas à Polícia Civil, que podem resultar em investigação formal por condutas relacionadas a maus-tratos ou outras irregularidades referentes à retirada dos animais.

📜 Como a legislação brasileira trata maus-tratos e retirada de animais
🐾 Maus-tratos são crime

No Brasil, é crime causar sofrimento ou tratar animais com crueldade sem justificativa legal. A Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais) prevê sanções penais e administrativas para quem comete maus-tratos contra animais — incluindo pena de detenção e multa, além de possível proibição de guarda.

Para cães e gatos, a legislação foi reforçada pela chamada Lei Sansão (Lei nº 14.064/2020), que aumentou a pena de maus-tratos nesse caso específico para reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição de guarda do animal para o infrator. Esta legislação surgiu após casos de crueldade que mobilizaram a sociedade e o Congresso Nacional.

O artigo 225 da Constituição Federal também assegura a proteção contra práticas que submetam animais à crueldade, integrando a defesa da fauna ao meio ambiente.

📍 Ações civis e penalidades possíveis

Além da responsabilização penal, o Ministério Público (federal, estadual ou local) e ONGs com atuação em defesa animal têm legitimidade para promover ações civis públicas, buscando:

a responsabilização de responsáveis por maus-tratos ou remoções irregulares de animais;

reparação por danos morais e ambientais coletivos;

medidas judiciais que garantam transparência e proteção futura de animais comunitários.

A atuação dessas entidades é comum em casos ligados a resgates, operações contra canis clandestinos e outros atos que afetem a vida animal, como ocorrido em Joinville (SC), onde o Ministério Público ajuizou ação civil pública contra responsáveis por um canil clandestino com mais de 200 cães resgatados.

⚖️ Boa prática jurídica no Brasil

Em casos de retirada de animais comunitários ou de rua sem autorização ou coordenação com autoridades competentes — como fiscais ambientais ou órgãos municipais — pode haver enquadramento em crime ambiental ou na legislação de proteção animal. Isso depende de como as autoridades interpretarem o contexto, a forma e a finalidade da retirada dos animais.

Investigações tendem a considerar se houve agressão, dano físico direto ou desatenção intencional à vida dos cães, o que caracterizaria maus-tratos conforme a lei.

📌 O que esperar nas próximas etapas

➡️ Polícia Civil e Ministério Público podem abrir inquérito formal caso haja indícios de crime na retirada dos cães ou se for comprovada a omissão injustificada da empresa em esclarecer o paradeiro e destino dos animais.

➡️ Órgãos ambientais podem aplicar sanções administrativas ou exigências de esclarecimentos, inclusive com possibilidade de medidas cautelares para garantir bem-estar animal.

➡️ Ações civis públicas podem ser movidas por entidades ou pelo Ministério Público, tanto para obter transparência quanto para buscar reparação por danos coletivos ou morais à sociedade que se mobilizou em torno do caso.

Estamos de Olho…

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